Ninguém. Somos um ciclo solitário. Começo, meio e fim. Brotamos da terra e a ela retornamos sem que isso permita que o mundo sofra com a nossa perda. Mesmo vivendo sob a fachada de um conceito aglutinador que é a sociedade. Ao deitarmos as cabeças nos travesseiros, somos nós e nós mesmos.
Somos nosso próprio muro das lamentações e este fardo de responsabilidade por demais parece um sobrepeso insuportável aos ombros. Então nos relacionamos. Ficamos, namoramos, fazemos amizades, estabelecemos, enfim, relações de troca com outros entes solitários.
Acontece que o fardo dos outros sempre parece estar mais leve que o nosso. Os problemas alheios são detalhes que ficaram incomunicáveis em algum processo de sinapse dos neurônios que impediu que o indivíduo enxergasse a óbvia solução. Pimenta no olho alheio é refresco. Estabelecemos, portanto, uma relação de troca entre nossos problemas. Compartilhamos.
Mas quer saber? No final das contas, passando de problemas-alheios a problemas-alheios, nos esquecemos do nosso próprio fardo ou, apenas fingimos que não é conosco. O problema é quando ele nos volta para os ombros.
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