Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sem título

Nada é tão expressivo quanto um ponto final. Fim da sentença. Período terminado. Acabou. Não há espaço para dualidades e interpretações subjetivas. Não há nada além, nenhum sentimento nostalgico de perda, nenhuma vontade insatisfeita, nada mais a ser dito. Pena que a vida não tem a exatidão da gramática. Pelo contrário, estamos mais para as reticências, do que a finitude de um único ponto.

Essa abrangência ou margem exagerada que criamos é, por diversas vezes, exaustiva.  A frustração de se andar em círculos, rodeando um problema, sem conseguir resolvê-lo nos consome, nos tortura e o pior, nos envelhece. Nada cria mais rugas do que os assuntos pendentes, as nossas eternas reticências acumuladas, empurradas para debaixo do tapete. Somos peritos nisso: envelhecer doentemente. O estresse é uma droga, somos viciados em problemas, em rusgas, rancores, adoramos alfinetar. Falar o que? Gostamos do malfeito!

Talvez por isso, amadurecer seja uma tarefa tão complicada, pois é necessário nos desprender dessas pequenas pendências, é necessário resolvermos nossas rusgas, rancores e simplesmente colocarmos um ponto final. Decretar finitude a problemas que não deveriam perdurar tanto em nossas mentes e, para isso, muitas vezes é preciso deixar de lado o nosso orgulho e ego. Esse processo faz parte do que é crescer na vida.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Despedida

Quando penso na vida
me vem um grito
que fica contido
entre a garganta e o umbigo

domingo, 6 de junho de 2010

As nuvens

"As únicas coisas eternas são as nuvens..." (Mário Quintana)

Em dias de céu azul ensolarado me sinto a desejar ser nuvem: olho o horizonte e as vejo a perder de vista. Quero eu ter essa onipresença. Viajar pelos céus imperceptível aos olhares cotidianos. Sentir o solo que os meus pés nunca antes calçaram e, ao final, quando já cansado de caminhar estivsse, me desfazer sob a terra e regressar para casa no embalo de um rio.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tudo passa


Tudo que passa no mundo
trespassa na duração de um segundo
 e as peles que tremem ao 
passar do tempo, entendem
o valor dessas sutilezas

É tanta coisa pouca
que o meu ser fica cheio 
e transborda pequenezas

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Arrependimentos

Arrepender-se é sentir-se pesaroso por determinado momento de sua vida; desejar não tê-lo vivido ou vivê-lo de forma diferente. Talves por isso seja algo tão condenável. Uma vida de arrependimentos não é plena. Não é romântica.

Bom, eu me arrependo. Inevitável não se arrepender, por mais antirromântico que isso possa parecer. A vida nada tem de romântica. Algumas coisas simplesmente não deveriam acontecer deste jeito, mas por esbarrarem com nossas limitações não tivemos escolhas ou escolhemos errado. E, infelizmente, o tempo é implacável, ele não volta atrás e tudo que temos são frações de segundos para decidirmos se saímos com o casaco mais pesado, pois pode fazer frio ao anoitecer ou se desistimos de uma mulher formidável ou uma oportunidade de emprego para a qual não nos sentimentos preparados.

Portanto, quanta bobagem daquele que diz que nunca se arrependeu. Eu me arrependo diariamente de escolhas malfeitas. Arrepender-se é antiromantico? Bom, não arrepender-se é que é. Arrepender-se é humano e um direito.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Epíteto

A paisagem, em ocasiões específicas, nos permite confundir sobre e sob o horizonte o céu e a terra, respectivamente. Quando se deixa perder o olhar, e a vista embaçada e difusa não mais separa um do outro, é possível considerar como um (uno) aquilo que o olhar costuma separar tão categoricamente.

É a grande falha dos sentidos: a superficialidade. Nossa limitação sensorial é conhecida, isso não é novidade. A visão, fonte de maior conhecimento, é ingênua ou, pior ainda, dissimuladora. Ela nos dispersa do tangível, da realidade que ela supostamente retrata.

"O homem não nasceu para pensar". Esta é uma frase do livro "O Lobo da Estepe", do escritor alemão Herman Hesse. Segundo ele o homem não nasceu para exercer este dom, ele o faz por acaso. Descobre a capacidade e, depois de tal facticidade, perde-se. Está condenado a viver uma vida em constante fuga ou eterno retorno à condição de ignorante, um caminho sem volta...
No entanto, iganoramos uma outra condição: o homem não só é um ser não inclinado ao pensamento, ele é ainda menos inclinado aos sentimentos. Quanto mais próximo o ser humano é conduzido à sua condição animalesca, mais próximo dela as suas ações vão se dirigir.

Nada nos deixa mais perdidos, confusos e irritados do que as vicissitudes do "coração". Tudo nos desarma menos do que a vulnerabilidade do sentir. Essa incompetência natural, ignorada por uns, retratada intencionalmente por poucos, deve-se ao fato de que somos tão animais quanto podemos ser e mais do que acreditamos ou gostaríamos.

No final das contas, só tomamos conhecimento dessas limitações quando nossa visão distorce não o horizonte, mas a nós mesmos. Uma massa amórfica de células, órgãos, água, oxigêncio, sangue, osso e sentimentos.