"O homem não nasceu para pensar": me disse várias vezes Herman Hesse. Possui a capacidade, mas não a finalidade e, ao contrário do que muitos acreditam, não é este o fator que nos diferencia dos demais animais. Não, o homem não nasceu para pensar, assim como também não nasceu para nadar, no entanto, se ensinado, ele nada.
Pensar é um exercício raro. Nós somos condicionados ao longo de nossas vidas a dar respostas a problemas e chamamos isso de pensamento. Vejam os macacos por exemplo: aqueles que estão em seu habitat natural levam sua vida pacata e ordinária sem a interferência de ninguém, sem grandes realizações, impassíveis. Por sua vez, os parentes cientistas, utilizados em laboratórias para estudos, aprendem com os seres humanos diferentes respostas a problemas diversos e até astronautas já viraram. Ao longo de nossa vida somos como macacos retirados das selvas, aprendemos a dar respostas a novos problemas e não temos limites de realizações. Seja em casa, na rua, no trabalho, em qualquer âmbito social, nós apredemos a dar respostas e só. Respostas ordinárias e instintivas.
Se o homem fosse um ser pensante, não chegaríamos ao final de uma vida usando apenas 5% de nossa capacidade mental. Isso, quando muito. Não, o homem não nasceu para pensar, mas, assim como na natação, se ensinado, ele o faz e parcelas muito pequenas da população dedicam a vida a este trabalho. Mas não se vanglorie, é pouco provável que você faça parte desta parcela.
Essa pequena parcela da população é a grande responsável por criar os novos desafios e respostas ordinárias que aprendemos. As consequências de se viver sob o jugo dos instintos e de não pensar são testemunhadas passivamente todos os dias: intolerência, violência, destruição, incompreensão, animalidade, um egoísmo patológico que predomina nas relações humanas. Um egoísmo burro.
Egoísmo burro porque sua consequência é a redução do homem ao seu estado mais bestial. O homem se reduz continuamente em favor da criação da matéria, ao ponto em que esta acaba por prevalecer sobre o seu criador. Este estilo de vida, ao contrário do que acredita-se, não distingue o homem dos animais, mas justamente é aquilo que o devolve ao patamar animalesco: o homem nasce, é ensinado a criar e produzir bens materiais, passa sua vida criando bens que terão mais valor que ele até o ponto em que morre pelas "mãos" daquilo que criou.
Alguns pensadores, como Nietzsche, idealizaram um outro tipo de homem egoísta. No entanto, essa individualidade refletiria um desejo do homem voltar a si mesmo e buscar o seu máximo desenvolvimento. Como consequência deste desejo de autocrescimento, o homem teria que pensar nos indivíduos ao seu redor. O lendário Fausto é um exemplo: insatisfeito com a sociedade em que vivia, pois esta limitava a sua capacidade de se desenvolver, fez um pacto com Mefistófeles (demônio) que lhe concedeu viver alguns anos a mais e permitiu que promovesse a paixão pela ciência e o progresso, reconstituindo assim a sociedade.
Infelizmente, o mal desta sociedade faustiana era que somente Fausto era um espírito livre - como Nietzsche define - os outros foram instrumentos da sua mudança. Tal como foram no século 19, período de atividade intelectual Nietzsche e tal como são hoje. Estamos inexoravelmente fadados a uma sociedade fáustica: nossa evolução depende do desejo de crescimento de alguns poucos. E ainda assim, não seremos menos animais do que somos hoje ou do que fomos quando ainda éramos macacos nas florestas.
Essa pequena parcela da população é a grande responsável por criar os novos desafios e respostas ordinárias que aprendemos. As consequências de se viver sob o jugo dos instintos e de não pensar são testemunhadas passivamente todos os dias: intolerência, violência, destruição, incompreensão, animalidade, um egoísmo patológico que predomina nas relações humanas. Um egoísmo burro.
Egoísmo burro porque sua consequência é a redução do homem ao seu estado mais bestial. O homem se reduz continuamente em favor da criação da matéria, ao ponto em que esta acaba por prevalecer sobre o seu criador. Este estilo de vida, ao contrário do que acredita-se, não distingue o homem dos animais, mas justamente é aquilo que o devolve ao patamar animalesco: o homem nasce, é ensinado a criar e produzir bens materiais, passa sua vida criando bens que terão mais valor que ele até o ponto em que morre pelas "mãos" daquilo que criou.
Alguns pensadores, como Nietzsche, idealizaram um outro tipo de homem egoísta. No entanto, essa individualidade refletiria um desejo do homem voltar a si mesmo e buscar o seu máximo desenvolvimento. Como consequência deste desejo de autocrescimento, o homem teria que pensar nos indivíduos ao seu redor. O lendário Fausto é um exemplo: insatisfeito com a sociedade em que vivia, pois esta limitava a sua capacidade de se desenvolver, fez um pacto com Mefistófeles (demônio) que lhe concedeu viver alguns anos a mais e permitiu que promovesse a paixão pela ciência e o progresso, reconstituindo assim a sociedade.
Infelizmente, o mal desta sociedade faustiana era que somente Fausto era um espírito livre - como Nietzsche define - os outros foram instrumentos da sua mudança. Tal como foram no século 19, período de atividade intelectual Nietzsche e tal como são hoje. Estamos inexoravelmente fadados a uma sociedade fáustica: nossa evolução depende do desejo de crescimento de alguns poucos. E ainda assim, não seremos menos animais do que somos hoje ou do que fomos quando ainda éramos macacos nas florestas.
